A Car With Driver, com sede em Matosinhos, reúne mais de 40 operadores independentes num projeto desenvolvido com um parceiro brasileiro após o Web Summit 2025.

Mais de 40 operadores independentes de transferências privadas estão agora reunidos numa plataforma digital criada pela startup portuguesa Carro com motoristalançado oficialmente em março de 2026 para organizar a oferta deste tipo de serviços na Península Ibérica.
A empresa, sediada em Matosinhos e até agora reconhecida como operador privado de transporte ocasional de passageiros, dá um salto estratégico ao adotar um modelo agregador. A nova plataforma conecta diferentes empresas e profissionais do setor numa estrutura comum, com padrões partilhados de qualidade, segurança e profissionalismo. A rede cobre atualmente todo o território português e espanhol, com o objetivo de ampliar progressivamente o número de parceiros e alcançar novos mercados.
A génese do projeto remonta ao Web Summit 2025, em Lisboa, onde João Gomes, fundador da Car With Driver, conheceu Diraci Júnior, diretor da tecnológica brasileira Trindtech. Ao longo de quatro dias de reuniões, conversas estratégicas e até uma viagem entre Lisboa e Porto, começou a ser desenhada a solução que agora chega ao mercado.
“Foi uma reunião decisiva. Rapidamente percebemos que tínhamos a mesma visão: criar algo que organizasse o setor e trouxesse escala sem perder qualidade”, lembra João Gomes. Seguiram-se meses de desenvolvimento, testes e alinhamento técnico, até o lançamento da plataforma.
A Car With Driver começou a operar em abril de 2023 e estabeleceu progressivamente colaborações com operadores independentes, um processo orgânico que acabou por revelar o potencial de um modelo colaborativo mais estruturado. Só em 2025, entre veículos próprios e parceiros, a empresa organizou cerca de 200 serviços, transportando mais de 750 passageiros.
O processo de reserva foi pensado para ser simples e imediato: o cliente escolhe a origem e o destino em Portugal ou Espanha, define as paragens turísticas, indica o número de passageiros e bagagens, insere os seus dados de contacto e recebe um orçamento em tempo real. A empresa de Matosinhos assume então a gestão integral da operação, atribuindo cada serviço com base em critérios como localização geográfica, disponibilidade do operador, tipo e dimensão do veículo, línguas faladas pelo motorista e necessidades específicas do cliente.
A lógica subjacente ao modelo vai além da simples agregação da oferta. “Se conseguirmos ligar uma viagem Porto-Lisboa a outra Lisboa-Porto no dia seguinte, com paragens em pontos turísticos como Aveiro, Coimbra ou Fátima, aumentamos a rentabilidade do parceiro e reduzimos o desperdício”, explica João Gomes. O fundador enumera os benefícios desta abordagem: otimização económica, menor impacto ambiental, melhor bem-estar dos condutores, redução de custos operacionais e menor desgaste dos veículos.
A nível financeiro, a Carro Com Motorista recebe o valor total do serviço, fatura ao cliente e distribui a maior parte do valor ao operador responsável pela execução, retendo uma comissão. A rede inclui pequenas empresas, muitas delas com um a três funcionários, e abrange uma gama diversificada de veículos, desde automóveis a minivans, carrinhas, miniautocarros e autocarros.
O perfil da clientela revela a dimensão internacional do projeto: cerca de 95% dos clientes são estrangeiros, sendo que os norte-americanos representam metade do total, seguidos dos canadianos (15%), dos europeus de outros países (15%), dos asiáticos (10%) e dos australianos (5%). Apenas 5% são portugueses. Entre os passageiros transportados estão figuras públicas e produções internacionais, como a influenciadora indiana Ruchika Asathar, a banda mexicana Maná ou elencos de shows como Cats e Mamma Mia!
O desenvolvimento tecnológico da plataforma foi assegurado pela Trindtech, em colaboração com João Gomes e Vasco Pinto, motorista e parceiro da empresa com competências na área de programação. Paralelamente, a Car With Driver já está a trabalhar com a consultora Start PME na análise de candidaturas a fundos europeus nas áreas da digitalização, internacionalização e sustentabilidade.
“Não queremos substituir ninguém. Queremos organizar, escalar e criar oportunidades para os operadores que, sozinhos, teriam mais dificuldade em otimizar recursos”, afirma João Gomes. “A inovação tecnológica é apenas uma parte de um plano mais amplo. Queremos crescer de forma estruturada e sustentável”.

