A ULS de Matosinhos (ULSM) garantiu hoje que está a desenvolver uma solução “digna, sustentável e adequada” às necessidades dos utentes com Esclerose Múltipla, pacientes que têm vindo a exigir a criação de uma clínica dedicada a esta doença.
Numa resposta enviada à agência Lusa, o conselho de administração da Unidade Local de Saúde de Matosinhos pretende apresentar “uma solução que responda de forma digna, sustentável e adequada às necessidades dos doentes com Esclerose Múltipla nas próximas semanas, garantindo ao mesmo tempo as melhores condições de trabalho aos profissionais”.
Esta resposta surge na sequência de uma petição online com o título “Não nos peçam para esperar mais: pela abertura da clínica de Esclerose Múltipla da ULS Matosinhos” que cerca das 17h30 de hoje contava com mais de trezentas assinaturas.
Na petição, os doentes afirmam que “durante anos” ouviram dizer que havia vontade de melhorar as condições de acompanhamento dos utentes com Esclerose Múltipla, mas “os anos passaram” e continuam “a realizar tratamentos em espaços não dedicados, espalhados pelo hospital, muitas vezes acompanhados por profissionais que, apesar dos seus esforços, não são especificamente especializados no tratamento e acompanhamento” desta doença.
«Durante anos foram-nos apresentados projetos, intenções e compromissos. Disseram-nos que seria criada uma clínica dedicada à Esclerose Múltipla, com melhores condições para os utentes e maior organização no acompanhamento desta doença crónica, neurológica e imprevisível», afirmam.
Contactado pela Lusa, o conselho de administração da ULSM admitiu que se trata de “uma patologia complexa, que exige um acompanhamento diferenciado, proximidade e condições adequadas à prestação de cuidados” e garantiu que “os trabalhos de avaliação e planeamento estão em fase avançada”.
“Prevemos que a solução a implementar possa ser apresentada e implementada nas próximas semanas”, prometeu.
Na petição, os utentes afirmam “continuam sujeitos a tempos de espera desnecessários, superiores ao razoável, que tornam a vida de pessoas ativas, trabalhadores, mães, pais e cuidadores, dependente de uma gestão hospitalar que não responde às reais necessidades da doença”.
Lembram ainda que, “quem vive com Esclerose Múltipla já convive todos os dias com a incerteza”.
“Não sabemos como seremos amanhã. Não sabemos quando chegará o próximo surto. Não sabemos que capacidades poderemos perder”, dizem.
E continuam: “Não sabemos por quanto tempo conseguiremos manter nossa autonomia, nosso trabalho, nossa rotina familiar e nossa qualidade de vida. Mas sabemos de uma coisa: não deveríamos ter que lutar também contra entraves administrativos que dependem apenas de vontade, decisão e organização”.
Na sua resposta, a ULSM lembra que a atual administração, presidida pelo médico Nélson Pereira, “tomou posse há cerca de um mês e meio” e garante que, “desde o início, tem vindo a analisar detalhadamente os principais projetos estruturantes da instituição, incluindo a resposta dedicada às pessoas que vivem com Esclerose Múltipla”.
“A ULS de Matosinhos reafirma o seu compromisso com a melhoria contínua dos cuidados prestados à população e com a criação de respostas que contribuam efetivamente para a qualidade de vida das pessoas que recorrem aos nossos serviços”, conclui.
A Esclerose Múltipla é uma doença crônica, autoimune, inflamatória e degenerativa que afeta o Sistema Nervoso Central.
Afeta particularmente a mielina (bainha que envolve, nutre, protege e isola eletricamente as extensões dos neurônios, permitindo a rápida transmissão dos impulsos).
O mecanismo da doença é baseado em um erro do sistema imunológico que faz com que a mielina seja considerada um corpo estranho e atacada.
A doença surge frequentemente entre os 20 e os 40 anos de idade, ou seja, entre adultos jovens.
Afeta mulheres com maior incidência.
Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 2.500.000 pessoas com Esclerose Múltipla, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, e em Portugal mais de 8.000, refere a página oficial da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM).

