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Home » Mobilidade, ambiente e qualidade de vida no centro das prioridades de Lavra
Matosinhos

Mobilidade, ambiente e qualidade de vida no centro das prioridades de Lavra

FranciscoBy FranciscoJuly 6, 2026No Comments7 Mins Read
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Poucos meses depois da tomada de posse da nova Junta de Freguesia, entrevistámos

João Torres, Presidente da Junta de Freguesia de Lavra, para fazer um balanço dos primeiros anos do seu mandato e conhecer a sua visão para o futuro da freguesia.

Nesta conversa, o autarca aborda os desafios decorrentes da recuperação da autonomia administrativa de Lavra, as principais preocupações dos habitantes, as prioridades de investimento e os projetos que considera fundamentais para a melhoria da qualidade de vida da população. A mobilidade, a preservação ambiental, a valorização das tradições ligadas ao mar e à agricultura, bem como o reforço da proximidade entre a Câmara e os cidadãos, são alguns dos temas em destaque.

Com uma perspetiva de futuro, João Torres defende uma Lavra mais sustentável, qualificada e coesa, capaz de preservar a sua identidade e responder aos desafios das próximas décadas.

1. Tomou posse em novembro de 2025. Qual foi a primeira prioridade que o senhor definiu para o Lavra?

A primeira prioridade foi garantir uma transição organizada e responsável após a separação da antiga união de freguesias. Era fundamental criar condições para que Lavra tivesse uma Direcção plenamente operacional, próxima da população e capaz de responder aos problemas do dia-a-dia.

Ao mesmo tempo, definimos desde o início uma linha muito clara, ouvindo a população, identificando as necessidades mais urgentes e começando a trabalhar em soluções concretas. A proximidade, a organização dos serviços e a valorização da identidade de Lavra foram, desde o início, prioridades centrais deste mandato.

2. Quais foram os maiores desafios destes primeiros meses?

O maior desafio foi, naturalmente, estruturar uma freguesia que voltasse a ter autonomia administrativa. Isto passa por reorganizar serviços, recursos, equipas, procedimentos e criar dinâmicas próprias, sem perder a capacidade de resposta às necessidades da população.

Outro desafio importante foi gerenciar as expectativas das pessoas. A população de Lavra tem muitas ambições legítimas para a sua terra e partilhamos esta vontade de fazer mais e melhor. Mas sabemos também que é preciso planear, definir prioridades e trabalhar com responsabilidade, em articulação com o Município e as diversas entidades do território. Este é um processo de melhoria contínua.

3. Que áreas ainda necessitam de maior investimento após a separação da antiga união de freguesias?

Existem diversas áreas que requerem atenção. Destacaria a manutenção do espaço público, a mobilidade, os equipamentos colectivos, o apoio ao associativismo e a valorização das zonas naturais e costeiras da freguesia.

Lavra tem características muito únicas. É uma freguesia com frente marítima, zonas agrícolas, zonas residenciais, património natural e uma identidade comunitária muito forte. Por isso, o investimento deve ser equilibrado, respondendo às necessidades do dia a dia, mas também preparando a freguesia para o futuro.

4. Quais são as principais preocupações dos moradores de Lavra atualmente?

As principais preocupações estão intimamente ligadas à qualidade de vida, à mobilidade, aos transportes públicos, à segurança rodoviária, à limpeza urbana, à manutenção dos espaços públicos e ao acesso aos serviços.

Sentimos também uma preocupação crescente com a preservação ambiental, a valorização do litoral e a necessidade de criar melhores condições para os jovens, as famílias e a população sénior. Lavra é uma freguesia com muito potencial, mas esse potencial tem de ser traduzido em respostas concretas para quem aqui vive todos os dias.

5. Existem projetos para melhorar a mobilidade e os transportes na freguesia?

Sim. A mobilidade é uma das áreas que consideramos prioritárias. Temos defendido uma melhoria na oferta de transportes públicos, melhores ligações dentro da freguesia e uma articulação mais eficaz com o centro de Matosinhos.

Além dos transportes, há também trabalho a fazer ao nível da segurança rodoviária, dos passeios, da acessibilidade pedonal e da criação de condições para uma mobilidade mais sustentável. A Direção tem um papel exigente e de proximidade, levando ao Município e às entidades competentes as necessidades concretas que nos são transmitidas pela população.

6. Como está sendo trabalhada a proximidade entre o Conselho e os cidadãos?

Proximidade não pode ser, nem foi, apenas uma palavra de campanha. Tem que ser uma prática diária. Tentámos estar no terreno, ouvir as pessoas, visitar os locais, monitorizar os problemas e responder rapidamente sempre que possível.

Queremos uma Diretoria de porta aberta, mas também uma Diretoria que saia às ruas. O relacionamento com associações, comunidades, escolas, instituições sociais e população em geral é essencial. Só conhecendo os problemas de perto poderemos encontrar melhores soluções.

Reforçamos também os canais digitais e a comunicação institucional, para que os lavrenses saibam o que está a ser feito, como podem participar e como podem aceder aos serviços da Junta de Freguesia.

7. Lavra tem uma forte ligação ao mar e às áreas naturais. Como conciliar desenvolvimento e preservação ambiental?

Lavra tem uma das suas maiores riquezas no mar, no litoral e no seu interior. O desenvolvimento da freguesia deve respeitar esta identidade. Não podemos olhar o meio ambiente como um obstáculo ao desenvolvimento, pelo contrário, a preservação ambiental e rural é condição para um desenvolvimento sustentável e inteligente.

Devemos valorizar a orla marítima, proteger os espaços naturais, promover boas práticas ambientais e envolver a comunidade neste esforço. O futuro de Lavra depende de saber aproveitar o seu potencial sem distorcer o que o torna único.

8. A pesca continua a ser um elemento importante da identidade de Lavra. Que iniciativas existem para valorizar esta tradição?

A pesca faz parte da história, cultura e identidade de Lavra. Valorizar esta tradição significa valorizar as pessoas, as famílias e as gerações que construíram uma parte importante da nossa comunidade à volta do mar, sem esquecer a agricultura.

Queremos promover iniciativas que dêem visibilidade à pesca tradicional, à gastronomia local, às memórias ligadas ao mar e ao papel dos pescadores na história da freguesia. Isto pode incluir eventos, atividades culturais, projetos educativos com escolas, roteiros locais e ações de promoção da identidade marítima de Lavra.

Preservar esta tradição não significa apenas olhar para o passado. Significa também criar novas formas de transmiti-lo às gerações mais jovens.

9. Qual o papel que o turismo e a valorização cultural podem desempenhar no desenvolvimento da freguesia?

Podem desempenhar um papel muito importante, desde que sejam concebidos com equilíbrio e respeito pela comunidade local. Lavra possui património natural, história, gastronomia, ligação ao mar, tradições agrícolas e uma localização privilegiada.

O turismo não deve ser visto apenas como uma visita, mas como uma oportunidade para dinamizar a economia local, apoiar o comércio, valorizar os produtores, promover o associativismo e reforçar o orgulho dos lavrenses pela sua terra.

A valorização cultural também é essencial para afirmar Lavra no município e na região. Temos uma identidade própria e queremos que essa identidade seja reconhecida, preservada e projetada no futuro.

10. O que o motivou a concorrer à presidência do Conselho de Mineração?

O que me motivou foi o amor pela Lavra e a vontade de servir a minha terra. Conheço bem a freguesia, as suas gentes, as suas potencialidades e também os seus problemas. Senti que poderia contribuir com trabalho, dedicação e visão de futuro.

A candidatura nasceu de um sentido de responsabilidade. Lavra precisava de uma liderança próxima, presente e determinada a defender os seus interesses. Assumi esse compromisso com humildade, mas também com muita convicção.

Ser Presidente do Conselho significa, acima de tudo, estar ao serviço das pessoas.

11. O que você gostaria que os lavrenses dissessem sobre seu mandato daqui a quatro anos?

Gostaria que dissesse que foi um mandato de proximidade, de trabalho e de compromisso. Que sentiram a presença da Câmara, que viram melhorias concretas na freguesia e que perceberam que havia uma preocupação real com as pessoas.

Naturalmente, nem tudo pode ser resolvido num só mandato, mas gostaria que o povo de Lavre reconhecesse que houve direção, dedicação e seriedade. Que Lavra ganhou voz, ganhou autonomia e ganhou confiança no seu futuro.

12. Como você imagina o Lavra em 2030?

Imagino Lavra mais qualificada, mais sustentável, mais coesa e mais orgulhosa da sua identidade. Uma freguesia que preserva a ligação ao mar e à natureza, mas que também aposta na modernização, mobilidade, equipamentos e qualidade de vida.

Vejo Lavra como uma terra onde os jovens querem ficar, onde as famílias encontram boas condições para viver, onde os mais velhos se sentem acompanhados e onde as tradições continuam vivas.

Em 2030, gostaria que Lavra fosse reconhecida como uma freguesia com identidade própria, com capacidade de afirmação e com uma comunidade unida em torno do seu futuro.



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