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Matosinhos

“Queremos continuar a servir melhor a comunidade”

FranciscoBy FranciscoJuly 10, 2026No Comments6 Mins Read
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Nesta edição entrevistamos Joaquim Paulo, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Leça do Balio, que faz um balanço do trabalho desenvolvido nos últimos anos, aborda os principais desafios da corporação e revela os objetivos para o futuro. Da renovação

desde os equipamentos à contratação de novos bombeiros, passando pela proximidade com a comunidade, o responsável deixa ainda um apelo à participação e apoio da população a uma instituição que considera uma referência no concelho.

Como você chegou ao Corpo de Bombeiros e à Presidência da Associação?

Sou presidente desde 2017 e estou atualmente no meu quarto mandato (2026–2029). Sou membro da Associação Humanitária há cerca de 20 anos e, antes de assumir a presidência, fui presidente da Assembleia Geral. Esta viagem permitiu-me conhecer a instituição, a sua missão e os desafios que enfrenta.

Quando assumi a presidência, a Associação atravessava um período difícil. Foi necessário reorganizar a estrutura, renovar protocolos com a Câmara Municipal e outras entidades públicas e reforçar a sustentabilidade da instituição. Foi um grande desafio, mas também uma oportunidade de modernização e fortalecimento do Corpo de Bombeiros.

Quais são os principais desafios da corporação hoje?

Desde 2017 conseguimos alcançar progressos importantes. Reforçámos a nossa força de trabalho, atualmente com mais de 60 bombeiros, entre profissionais e voluntários, o que nos permite garantir uma resposta permanente, 24 horas por dia. Também recuperámos e melhorámos as instalações, abrindo os nossos espaços à comunidade para atividades culturais e associativas, e renovámos parte da frota, adquirindo diversas viaturas de emergência e de transporte.

O maior desafio continua a ser garantir recursos humanos suficientes e renovar veículos e ambulâncias de combate a incêndios urbanos, muitos dos quais já estão em serviço há vários anos. Precisamos também de veículos de reserva para garantir uma resposta eficaz em qualquer situação.

Outro objetivo é continuar a aproximar a Associação da comunidade, promovendo atividades culturais, sociais e formativas que fortaleçam a ligação entre os Bombeiros e a população.

Quantos bombeiros fazem atualmente parte da corporação?

Temos cerca de 60 membros, incluindo bombeiros profissionais e voluntários.

Existem dificuldades no recrutamento e retenção de bombeiros?

Sim, são dificuldades vividas por praticamente todas as corporações do país. No passado, os bombeiros eram espaços sociais e muitos jovens seguiram o exemplo de familiares que já eram bombeiros. Hoje, esta realidade mudou e é cada vez mais difícil captar novos elementos.

Além disso, existe uma forte concorrência entre as corporações e muitos profissionais acabam optando por instituições que oferecem melhores condições salariais. Como associação humanitária, dependemos de protocolos e apoios públicos, o que limita a nossa capacidade financeira.

É uma profissão muito exigente, física e emocionalmente, principalmente numa zona urbana como a nossa, onde as ocorrências são frequentes e muito diversas. É fundamental continuar a valorizar a carreira de bombeiro e criar melhores incentivos para atrair e reter profissionais.

Que investimentos foram feitos nos últimos anos para melhorar a capacidade de resposta?

Nos últimos anos tem havido um forte investimento, especialmente por parte da Câmara Municipal de Matosinhos, através de protocolos que permitem financiar equipas operacionais permanentes. Este apoio tem sido essencial para garantir uma resposta eficaz à população.

Além dos recursos humanos, foram realizados investimentos na requalificação das instalações, substituição da cobertura e aquisição de equipamentos e viaturas. O INEM reforçou também o financiamento para o transporte de pacientes.

Apesar destes avanços, ainda é necessária a renovação da frota. Os veículos de combate a incêndio representam investimentos muito elevados e dificilmente podem ser adquiridos apenas com recursos próprios.

Quais as ocorrências mais frequentes na área de intervenção?

A maioria dos incidentes está relacionada com emergências pré-hospitalares, como doenças súbitas, quedas, acidentes domésticos, acidentes rodoviários e transporte de pacientes para unidades de saúde.

Os incêndios urbanos também fazem parte da atividade diária, assim como outras intervenções, desde o controlo de vespas asiáticas até ao resgate de animais.

A população idosa merece especial atenção, pois muitos idosos vivem sozinhos e os bombeiros são muitas vezes o primeiro apoio em situações de emergência.

Como você descreve a relação entre o Corpo de Bombeiros e a comunidade?

Hoje existe uma relação muito próxima. Nos últimos anos temos procurado abrir ainda mais a Associação à comunidade, promovendo rastreios de saúde, ações de sensibilização, atividades culturais, aulas de informática, karaté e iniciativas dirigidas a crianças e idosos.

Atendemos Leça do Balio, Custóias, parte de Guifões e Senhora da Hora, mantendo estreitas ligações com juntas de freguesia, associações e comissões partidárias.

Contamos também com o apoio de diversas empresas, embora haja margem para reforçar esta colaboração, especialmente com a comunidade empresarial localizada na região. Os bombeiros são um recurso essencial para toda a comunidade e este reconhecimento deve traduzir-se também em apoio institucional e empresarial.

Quais são os objetivos da corporação para os próximos anos?

O principal objetivo é continuar melhorando o serviço prestado à população. Pretendemos reforçar a formação especializada dos bombeiros, aumentar os recursos humanos e renovar a frota, especialmente com viaturas preparadas para responder às exigências dos incidentes urbanos e situações mais complexas.

Queremos continuar a evoluir para prestar uma assistência cada vez mais rápida, eficaz e segura.

Do que você mais se orgulha no trabalho que realiza?

O maior orgulho é o trabalho em equipe desenvolvido ao longo desses anos. Conseguimos reforçar quadros, melhorar a capacidade de resposta, recuperar instalações, renovar equipamentos e estreitar relações com a comunidade.

Tudo isto foi possível graças ao diálogo permanente com o comando, os bombeiros, a Câmara Municipal e as juntas de freguesia.

Orgulho-me também de termos criado iniciativas sociais e culturais, como programas de férias para crianças, atividades de apoio comunitário e projetos que aproximaram ainda mais os bombeiros da população.

Que mensagem você gostaria de deixar aos moradores?

Gostaria de pedir à população que continue apoiando o Corpo de Bombeiros.

Temos cerca de três mil associados, mas é importante que cada vez mais pessoas participem na vida da Associação. Esta é uma casa aberta à comunidade, disponível para colaborar em diversas iniciativas e sempre pronta a responder quando surge uma emergência.

O apoio da população é essencial para continuarmos a crescer e a prestar um serviço de qualidade.

Que mensagem você deixa para quem está pensando em ingressar no Corpo de Bombeiros?

Ser bombeiro é muito mais que uma profissão ou voluntariado: é um compromisso com a comunidade e com a proteção da vida humana.

Quem ingressa nesta corporação encontrará uma instituição reconhecida, onde são promovidos valores como o respeito, a lealdade, o espírito de equipa e o serviço ao próximo.

Os jovens terão aqui a oportunidade de crescer, aprender e contribuir para uma missão de enorme importância. As portas estão abertas para todos que querem fazer a diferença.



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