De mijabellas a símbolos de revolução. Nome do Campo 24 de Agosto
Há mais de século e meio, o Campo 24 de Agosto, no centro do Porto, foi renomeado pela Câmara Municipal em homenagem à Revolução Liberal de 1820. Porém, esse espaço nem sempre foi chamado assim. método. Outrora Campo de Mijavellas, o passado deste local celebra um dos marcos mais importantes da história portuguesa, mas guarda memórias que são muito mais antigas.
Antes de se tornar o local que conhecemos hoje, este local era popularmente conhecido como Campo de Mijavellas. Segundo a tradição, este nome surgiu devido a um estranho costume. Estas mulheres vinham de Valongo e de São Cosme para vender os seus produtos na feira do Porto e utilizavam o campo para “curar” durante a sua longa viagem.
Este costume inusitado deu tanto carácter à vida local que o topónimo permaneceu durante séculos até ser oficialmente alterado para Campo 24 de Agosto em 1860.
Mas foi mais do que apenas um ponto de passagem. Continha um reservatório construído no século XVI que aproveitava as nascentes naturais da região para abastecer a cidade.
Os vestígios desta estrutura, incluindo um poço com 6 metros de profundidade, foram descobertos durante as escavações para a construção da estação do metro Campo 24 de Agosto e estão agora expostos.
O nome Mijavellas caiu em desuso há 164 anos e foi substituído por Campo 24 de Agosto em comemoração à Revolução Liberal. No entanto, os locais por onde passam as vendedoras de Valongo ainda servem como centros de transporte para os portuenses.
Respeito por quem carrega água
Também no Campo 24 de Agosto foi criado um mural de arte urbana em homenagem aos barcos aquáticos que viajavam de e para o outrora Campo das Mijavelhas.
A Arca da Água não só fornecia água à população do Porto, mas também era onde a companhia de águas se abastecia para vender água no Porto.
A obra, criada em 2021 pelo artista portuense Tiago Gómez (mais conhecido como Gómez), é uma viagem ao século XVI, quando as mulheres paravam na albufeira de Mijavellas.

