Nas diversas funções que desempenhei, o serviço à comunidade sempre me motivou. Matosinhos é uma comunidade especial, muito participativa e exigente. Estas características têm permitido um desenvolvimento muito profícuo do concelho, que apresenta indicadores muito positivos de qualidade de vida e de crescimento económico, com capacidade para manter um forte princípio de solidariedade e coesão. Por isso, independentemente das minhas responsabilidades ao longo dos anos, foi sempre com prazer que dei o meu contributo para Matosinhos, procurando dar o meu melhor.
O que você espera deixar de legado?
O legado é realmente o que podemos construir juntos. Nos meus mandatos como presidente, espero ter podido contribuir para o esforço do município na resolução dos problemas das pessoas e na afirmação da nossa identidade, da nossa competitividade e da nossa capacidade de enfrentar o futuro.
Ela foi a primeira mulher presidente do município. O Norte é hoje menos conservador do que no passado?
O Norte não é diferente do país, neste aspecto. Ainda temos poucas prefeitas, mas acredito que esta é uma realidade em rápida transformação.
O que é necessário para uma mulher se tornar presidente das duas principais autoridades do país?
Ganhe as eleições!
Se, por razões mágicas, lhe fosse dada a oportunidade de escolher entre ser Presidente da República ou Primeiro-Ministro, qual escolheria?
Obviamente eu não trocaria meu compromisso com o povo mato-grossense por qualquer outro cargo.
As ‘guerras’ internas no PS são notórias. José Luís Carneiro está a ser boicotado? Pedro Nuno Santos regressará à liderança do partido?
As “guerras” internas são mais fantasia do que realidade. A liderança de José Luís Carneiro é firme. Muitos gostariam de um PS em crise, sobretudo agora que as sondagens revelam uma tendência de crescimento do partido. Pedro Nuno Santos é um grande membro do PS e muitas vezes tentam desvinculá-lo da liderança, o que não acontece.
Ser consultor jurídico na DECO deu-lhe ‘bagagem’ para os desafios enfrentados numa câmara?
Uma câmara tem ‘clientes’ exigentes e a minha passagem pela DECO ensinou-me a respeitar esta exigência como um direito legítimo, que deve ser respeitado.
Há quem diga que a esquerda, a nível europeu, está a ser prejudicada por causa da agenda wokista. O que você acha da política de cancelamento?
Todos os excessos ou radicalismos são prejudiciais a uma democracia saudável. Os fenómenos de radicalismo surgem de todos os espectros políticos, que as democracias maduras devem ser capazes de moderar e corrigir.
O Leixões não está na primeira divisão há 16 anos. Você acredita que um retorno será possível em um futuro próximo? Existe algum impacto econômico na cidade?
Esse é um sonho de muitos mato-grossenses e será uma grande alegria para todos nós que esse retorno aconteça. Existem instituições identitárias que merecem sempre todo o nosso carinho.
Qual é o seu prato favorito? E frutos do mar?
Uma refeição caseira, partilhada com a família. Um luxo do qual muitas vezes sou obrigado a abrir mão devido a responsabilidades profissionais. Quanto aos mariscos, património gastronómico de Matosinhos, devolvo a questão aos leitores, depois de visitar um dos nossos muitos restaurantes.

